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Abstract:
Short biography of Napoleon III and several paragraphs of one of the Tablets revealed by Baha'u'llah to Napoleon III.
Notes:
This text was first published at a Portuguese Baha'i blog, povodebaha.blogspot.com.
Written in Portuguese.

Napoleão III:
Breve biografia e excertos da epístola revelada por Bahá'u'lláh

by Marco Oliveira

Lisbon: 2004-07-19
Carlos Luís Napoleão Bonaparte nasceu em Paris em 20 de Abril de 1808. Era o terceiro e último filho do Rei Luís e da Rainha Hortense da Holanda; era também sobrinho de Napoleão I. A família Bonaparte tinha sido expulsa de França após a queda do seu tio; assim Luís Napoleão foi cresceu e foi educado na Suíça e na Baviera. Educou-o sob com os valores do mito Napoleónico e incentivado pela mãe a reconquistar o poder da família, escreve uma série de textos e tratados, formulando um programa político apresentando-se como um liberal, especialista militar e defensor do desenvolvimento industrial e agrícola.

Lidera duas tentativas de derrube do rei Luís Filipe; a primeira, em Estrasburgo (1836), acaba por o levar ao exílio nos Estados Unidos; a segunda, em Boulogne-sur-Mer (1840) vale-lhe uma sentença de prisão perpétua na fortaleza de Ham, no Somme. Consegue evadir-se em 1846 e foge para Inglaterra.

Após a revolução que levou à queda do rei Luís Filipe em Fevereiro de 1848, Luís Napoleão regressa a França e lança-se de novo na arena política ao apresentar-se como candidato à presidência da nova república francesa. O nome e a nostalgia da era napoleónica ajudam-no a vencer as eleições com uma grande maioria de votos. O limite do mandato de presidente e uma vitória monárquica nas eleições legislativas acaba por lhe condicionar a sua acção política; resolve esse problema com um golpe de estado em 2 de Dezembro de 1851, assumindo poderes ditatoriais e alargando a duração do seu mandato.

O SEGUNDO IMPÉRIO

Um ano mais tarde, um plebiscito aprova a substituição da Segunda República pelo Segundo Império: assumiu o titulo de Napoleão III, tentando assim invocar uma herança política do anterior imperador. Durante oito anos mantém poderes ditatoriais; simultaneamente, a França assiste a grandes desenvolvimentos industriais e comerciais.

Os caminhos de ferro expandem-se fortemente; as condições das populações desfavorecidas também melhoram. É no seu reinado que se assiste à reconstrução de Paris, sob a supervisão de Baron Haussman. Vários Bancos de Investimento são autorizados. Mas por outro lado, limitou a liberdade de imprensa e de pensamento; censurou jornais e exilou escritores (Victor Hugo viu os seus trabalhos proibidos).

A partir de 1860, e fruto de uma enorme queda de popularidade, Napoleão III inicia uma série de reformas liberais; os poderes da Assembleia Legislativa são alargados e muitas liberdades civis são restabelecidas. É criada uma legislação laboral, surgem incentivos ao mercado livre e a permissão de existência de partidos de oposição; a liberdade de associação e de imprensa também surgem nessas reformas. Era o período do “Império Liberal”.

A POLÍTICA EXTERNA

Ao seu sucesso interno contrapõem-se uma política externa demasiado ingénua, que coloca a França em situações muito delicadas. Entre 1854 e 1856 a França junta-se ao Reino Unido, ao reino da Sardenha e ao Império Otomano na Guerra de Crimeia contra a Rússia. A participação na construção do Canal do Suez e a intervenção na China (1857-60) levam os franceses acreditam então que a França recuperou o seu poder e prestígio internacional.

Em 1859, a França alia-se à Sardenha numa guerra para expulsar a Áustria da península italiana. Com isso recebeu Nice e Saboia; mas os custos da guerra foram demasiado elevados. A intervenção francesa em Itália provocou outros problemas, nomeadamente a unificação italiana (1861): a Itália surgia como uma nova potência europeia com quem a França tinha de se entender. Uma intervenção no México (1861-67) é desastrada; as tropas francesas deixam o país por exigência norte-americana, e o Imperador Maximiliano é abandonado à sua sorte.

Napoleão III mantém a neutralidade francesa durante a guerra Autro-Prussiana de 1866. A ascensão da Prússia, sob a liderança de Otto von Bismarck, à condição de potência europeia é subestimada por Napoleão III. Contrariando os seus conselheiros, decide assumir uma postura agressiva na questão da sucessão do trono espanhol; é o pretexto que os Prussianos necessitavam para provocar uma guerra com a França.

Em 19 de Julho de 1871, culminando uma série de crispações diplomáticas e um clima de crescente tensão com o Rei da Prússia, Napoleão III declara guerra à Prússia. Nos meses seguinte os poderes políticos na Europa são profundamente abalados; a França será humilhada e a Alemanha regozijar-se-á no seu orgulho nacionalista. É uma guerra que lança o segundo Império na ruína. O próprio Napoleão é capturado pelos prussianos após a batalha de Sedan (1 de Setembro de 1870). Uma revolução em Paris declara a sua deposição em 4 de Setembro desse ano.

A queda do império francês impressiona toda a Europa; aquela que era, aparentemente, a grande potência europeia, fica de rastos. (o impacto deste acontecimento em Portugal é descrito nas últimas páginas d’O Crime do Padre Amaro). É a estupefacção geral. Todos se questionam como foi possível aquilo acontecer.

Libertado após o armistício, Napoleão parte para o exílio em Inglaterra onde faleceu, a 9 de Janeiro de 1873, em Chislehurst.

EPISTOLAS DE BAHÁ'U'LLÁH A NAPOLEÃO III

Bahá'u'lláh revelou duas epístolas para Napoleão III. A primeira deve ter sido revelada entre 1866 e 1867, durante o exílio em Adrianópolis; a segunda foi revelada entre 1868 e 1870, na prisão em ‘Akká, durante o último exílio. Tal como fez outras epístolas a reis e governantes, nestas duas epístolas Bahá'u'lláh anuncia o aparecimento de uma nova revelação divina. No entanto há uma clara diferença de estilos entre as duas epístolas; a primeira chega ser elogiosa e aconselha o Imperador sobre diversos assuntos; a segunda é claramente condenatória e ameaçadora, profetizando a queda do império francês e a humilhação de Napoleão.

Alguns excertos da segunda epístola:

Ó Rei de Paris! Diz ao padre que não toque mais os sinos. O Mais Grandioso Sino apareceu na forma daquele que é o Mais Grandioso Nome, e os dedos da vontade do Teu Senhor, o Excelso, o Altíssimo, fazem-no soar no céu da imortalidade, em Seu Nome, o Todo-Glorioso. Assim os poderosos versículos do Teu Senhor foram enviados de novo para ti, para que pudesses levantar-te para celebrar Deus, o Criador do Céu e da Terra, nestes dias em que todas as tribos da terra se lamentaram e as fundações das cidades tremeram, e o pó da irreligião envolveu todos os homens, salvo aqueles que Deus, o Omnisciente, a Suprema Sabedoria, decidiu poupar.
(...)

Ó Rei! Ouvirmos as palavras que pronunciaste em resposta ao Czar da Rússia a respeito da decisão tomada à cerca da guerra (guerra da Crimeia). O teu Senhor, em verdade, sabe, está informado de tudo. Disseste: "Eu estava adormecido no meu leito, quando o grito dos oprimidos, que eram afogados no Mar Negro, me despertou". Isto foi o que te ouvimos dizer e, em verdade, teu Senhor é testemunha daquilo que digo. Damos testemunho que aquilo que te despertou não foi o seu grito, mas os impulsos das tuas próprias paixões, pois Nós testámo-te e julgamo-te em falta. Compreende o significado das Minhas palavras e sê dos que discernem.
(...)

Tivesses tu sido sincero nas tuas palavras, não terias lançado para trás de ti o Livro de Deus quando te foi enviado por Aquele que é o Todo-Poderoso, o Omnisciente. Através dele te pusemos à prova e encontramo-te diferente do que professas ser. Levanta-te e emenda-te naquilo que te escapou. Em breve o mundo e tudo o que tu possuis perecerão e o reino será devolvido a Deus, teu Senhor e o Senhor de teus pais de antanho. Não te convém proceder segundo os ditames de teus desejos. Teme os suspiros deste Injuriado e protege-0 contra os dardos daqueles que agem com injustiça. Por causa daquilo que fizeste, o teu reino será lançado na confusão; e o teu império passará das tuas mãos, como punição pelo que perpetraste.
Então saberás que erraste claramente. Uma grande convulsão apossar-se-á de todo o povo dessa terra, a manos que te levantes para ajudar esta Causa e sigas Aquele que é o Espírito de Deus (Jesus Cristo) neste caminho recto. Será que a tua pompa te tornou orgulhoso? Por minha vida! Não perdurará; muito em breve há-de passar a menos que te segures firmemente a esta Corda forte. Vemos a humilhação aproximar-se de ti rapidamente, enquanto estás desatento.
(...)

Sabe, em verdade, que os teus súbditos são uma responsabilidade que Deus te conferiu. Cuida deles, como cuidas de ti. Acautela-te para que os lobos não se tornem pastores do rebanho, ou o orgulho e a soberba te impeçam de cuidar dos pobres e dos desprotegidos.
(...)


As duas epístolas foram enviadas através de diplomatas franceses em Constantinopla; alguns autores dizem que Napoleão, ao ouvir a tradução da primeira epístola, tê-la-ia atirado para o chão e dito "Se este homem é Deus, então eu sou duas vezes Deus". No entanto, não temos nenhuma confirmação independente sobre esta reacção de Napoleão (ver http://bahai-library.com/uhj/napoleon.victoria.html).
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